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    Microtoxinas e a morte de filhotes

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    Monteiro Junior
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    Mensagens : 170
    Data de inscrição : 28/11/2013

    Microtoxinas e a morte de filhotes

    Mensagem por Monteiro Junior em Qui Dez 12 2013, 19:20

    CONTAMINAÇÃO DE CEREAIS COM TOXINAS DE FUNGOS (MICOTOXINAS)
    Responsável por grande número de óbitos de filhotes de pássaros
    1) Introdução
    Os cereais pertencem, desde épocas remotas, à categoria dos nutrientes essenciais à humanidade. Eles serviam como unidade de medida na antiguidade, sendo usados até mesmo para o pagamento de impostos e tributos. Com o decorrer dos anos quase não houve mudanças no papel nutricional destes nutrientes, que constituem a base da alimentação, não só do homem, mas também das diferentes espécies animais: bovinos, eqüinos, caninos, felinos, pássaros, peixes, roedores, etc. Segundo dados do Ministério da Agricultura da Alemanha (Serviço de Informação ao consumidor – AID, 1992) a produção mundial de cereais é de cerca de 1,8 bilhões de toneladas por ano. O gráfico abaixo mostra a distribuição percentual dos principais grãos produzidos.
    Como características nutricionais gerais dos cereais destacamos a alta concentração de amido, bons níveis de proteína, excelente digestibilidade e baixos teores de fibras.
    Entretanto, estas características estão sujeitas à ação de vários fatores: características do solo, época de plantio, idade do cereal na colheita, presença de fungos, etc. Entre estes fatores, gostaríamos de abordar o aspecto relativo à presença de fungos, uma vez que estes podem comprometer, muitas vezes de forma definitiva, a qualidade do cereal.
    2) Micotoxinas em Cereais
    A presença de fungos e de seus "venenos" em alimentos é conhecida desde épocas remotas. Micotoxinas podem ser formadas, mantidas ou reduzidas durante a produção, o armazenamento ou durante o processamento de alimentos. Devido ao aumento da demanda no consumo mundial de cereais, foi necessário o desenvolvimento de tecnologia para o aumento respectivo da capacidade produtiva destes nutrientes. Entretanto, o aumento da produção é acompanhado pelo aumento dos agentes contaminadores (fungos, bactérias, ácaros, insetos, etc.), principalmente devido à quebra do equilíbrio natural existente entre os diferentes componentes de um ecossistema. O quadro a seguir
    apresenta os fatores que influenciam o aparecimento de micotoxinas nas fases de cultivo e armazenamento dos diferentes alimentos, mostrando também alguns fatores que influenciam a ação destes "venenos" nos animais.
    O prejuízo causado pelas toxinas de fungos presentes nos cereais não deve ser menosprezado, pois as manifestações de sua ação podem variar de vômitos ocasionais a convulsões e morte repentina. A tabela a seguir mostra algumas das principais micotoxinas presentes em alimentos, assim como os animais mais freqüentemente afetados por estas micotoxicoses.
    Doença
    Fungo
    Planta/Substrato
    Micotoxina
    Animais Afetados
    Patogenia/Sintomas
    Aflatoxicose
    Aspergillus flavus
    Aspergillus parasiticus
    Trigo, soja, sorgo, cevada, farinha de cereais, amendoim, milho, milho de pipoca, etc.
    Aflatoxinas B1, B2, G1, G2
    Aves, roedores, cães, peixes, suínos, bovinos, etc.
    Aflatoxinas são hepatotóxicas, teratogênicas, mutagênicas e carcinogênicas. Sintomas incluem queda de produção, supressão imunológica, sintomas nervosos, etc
    Ocratoxicose
    Aspergillus ochraceus
    Penicillium viridicatum
    Cevada, trigo, milho, arroz, cereais triturados
    Ocratoxina A, derivados da dihidroisocumarina
    Aves, suínos
    Toxinas interferem na síntese de proteínas, levando a alterações renais degenerativas, perda de peso, polidipsia e poliúria.
    Estrogenismo
    Fusarium graminearum
    Milho, cevada, sorgo, fenos, sementes, cereais
    Zearalenona (F2)
    Suínos, bovinos e outras espécies
    Micotoxina com atividade estrogênica: edema de vulva,
    triturados
    infertilidade, prolapsos retal e vaginal.
    Recusa de alimentos
    Fusarium graminearum
    Cereais
    Deoxinivalenol
    Aves, suínos, bovinos
    Estimulação central e local causando vômitos
    Tricoteceno-Toxicose
    Várias espécies de Fusarium
    Cereais
    Toxina T2
    Várias espécies
    Agente de necrose epitelial, supressão imunológica, síndromes hemorrágicas.
    Citrinina-Toxicose
    Penicillium citrinum
    Penicillium viridicatum
    Maioria dos cereais e gramíneas
    Citrinina
    suínos
    Toxina nefrotóxica
    É importante lembrar que as toxinas podem estar presentes nos alimentos, mesmo após a eliminação dos fungos. Além disso, muitas delas são resistentes a processos industriais, tais como o cozimento. Somente a determinação dos níveis de toxinas nos cereais pode garantir a qualidade destes nutrientes, evitando-se o risco de intoxicações por micotoxinas. Alguns dos métodos empregados para a determinação de níveis de micotoxinas são o HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Pressão) e o TLC (Cromatografia de Camada Fina). A análise deve ser feita em amostras representativas do alimento questionado, devendo ser realizada por órgãos credenciados. Somente desta forma podemos ter certeza, em relação à qualidade do cereal, que poderá então ser utilizado das diferentes formas possíveis, desempenhando um papel importante na alimentação do homem e dos animais.
    3) Bibliografia
    AID 1992, Verbraucher Dienst Informiert 1194;
    LUZZARDI, GC. & OLIVEIRA, BS. 1973. Fitopatologia 8:13;
    NANCOZ, R. 1993. Migraine: quoi de neuf? Rev. Med. Suisse. Romande 113 (12): 1009-13;
    WAGNER, H. 1993. Pharmazeutische Biologie 2:189-93;
    WOLFF, J. 1994. Übersichten zur Tierernährung 22 (1): 93-7.

    Retirado de:
    www.lagopas.com.br

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