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    O Pássaro Preto ou Graúna

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    Monteiro Junior
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    Mensagens : 170
    Data de inscrição : 28/11/2013

    O Pássaro Preto ou Graúna

    Mensagem por Monteiro Junior em Sab Dez 14 2013, 11:36

    Graúna

    A graúna (derivado do tupi “guira-una” = ave preta) é uma ave passeriforme da família Icteridae. Conhecido também como chico-preto (Maranhão), arranca-milho, chopim, chupão (Mato Grosso), assum-preto, cupido, melro e pássaro-preto.
    Dentre as várias inspirações ao cancioneiro popular, esta se destaca por sua letra e pujança na voz de Luiz Gonzaga:

    Tudo em volta é só beleza
    Sol de abril e a mata em flor
    Mas assum preto, cego dos oio
    Não vendo a luz, ai, canta de dor
    Mas assum preto, cego dos oio
    Não vendo a luz, ai, canta de dor

    Essa música relata um ato cruel entre passarinheiros, principalmente do nordeste, que furavam (em algumas regiões ainda o fazem) os olhos do assum preto pensando que assim ele cantaria mais na gaiola. Esse procedimento bizarro também é feito com o sabiá.

    Na literatura, José de Alencar escreveu no romance Iracema:

    Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
    O favo da Jati não era doce como seu sorriso (…)

    Além da subespécie Gnorimopsar chopi chopi existe uma subespécie chamada Gnorimopsar chopi sulcirostris. Ambas são iguais, porém a sulcirostris é maior e existe no norte/nordeste, enquanto que a chopi é menor e existe na região sul/sudeste do Brasil.
    Seu nome significa: do (grego) gnorimos = nótável; e psar, psarus = estorninho; e do (guarani) chopi onomatopéia que faz referência ao canto do (pássaro-preto - tordo chopi). ⇒ (ave notável parecida com estorninho). Vale lembrar que a referência a aves europeias é comum, pois os ornitólogos que descreveram pela primeira vez estas espécies faziam associação e referiam-se as aves que conheciam no velho mundo.

    Características

    Mede 21,5 a 25,5 centímetros de comprimento. É inteiro negro incluindo pernas, bico, olhos e penas daí um de seus nomes populares pássaro preto, filhotes e jovens não possuem penas ao redor dos olhos. Trata-se de um dos pássaros de voz mais melodiosa deste país. A fêmea também canta.

    Indivíduos com plumagem leucística

    O que é leucismo?

    O leucismo (do grego λευκοσ, leucos, branco) é uma particularidade genética devida a um gene recessivo, que confere a cor branca a animais geralmente escuros.

    O leucismo é diferente do albinismo : os animais leucísticos não são mais sensíveis ao sol do que qualquer outro. Pelo contrário, são mesmo ligeiramente mais resistentes, dado que a cor branca possui um albedo elevado, protegendo mais do calor.

    O oposto do leucismo é o melanismo.

    graúna (Gnorimopsar chopi)
    graúna (Gnorimopsar chopi)
    Subespécies

    São 3 subespécies reconhecidas:

    chopi (Vieillot, 1819) - Leste e centro do Brasil (Centro de Mato Grosso leste até Goiás, sudeste de Minas Gerais e Espírito Santo), ao sul até o nordeste da Argentina e Uruguai. É a forma descrita acima.

    sulcirostris (Spix, 1824) - todo o Nordeste do Brasil, do Maranhão até a Bahia e o norte de Minas Gerais. Distingue-se da forma nominal pelo tamanho muito maior.

    megistus (Leverkühn, 1889) - Extremo sudoeste do Peru e leste da Bolívia.

    ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

    graúna adulto
    graúna adultograúna jovem
    graúna jovem
    Alimentação

    Onívoro. Come frutos, sementes, insetos, aranhas e outros invertebrados. Aprecia o coco maduro da palmeira buriti. Apanha insetos atropelados nas estradas e aproveita restos de milho junto às habitações humanas ou desenterra sementes recém-plantadas.

    graúna se alimentando
    graúna se alimentando
    Reprodução

    Atinge a maturidade sexual aos 18 meses. Faz ninho em árvores ocas, troncos de palmeiras, ninhos de pica-pau, em mourões, dentro do penacho de coqueiros e nas densas copas dos pinheiros, utilizando também ninhos abandonados de joão-de-barro. Ocupa buracos também em barrancos e cupinzeiros terrestres. Às vezes faz um ninho aberto, situado em uma forquilha de um galho distante do tronco, em uma árvore densa e alta. Cada ninhada geralmente tem entre 3 e 4 ovos, tendo de 2 a 3 ninhadas por temporada. Os filhotes nascem após 14 dias e ficam no ninho 18 dias. O macho ajuda a criar a prole.

    Casal de graúna
    Casal de graúnaNinho de graúna
    Ninho de graúnaOvo de graúna
    Ovo de graúnaFilhote de graúna
    Filhote de graúna
    Hábitos

    É comum em áreas agrícolas, buritizais, pinheirais, pastagens e áreas pantanosas, plantações com árvores isoladas, mortas, remanescentes da mata. Sua presença está associada a palmeiras. Vive normalmente em pequenos grupos que fazem bastante barulho. Pousa no chão ou em árvores sombreadas. Há quem confunda o graúna com o atrevido vira-bosta (Molothrus bonariensis), famoso por parasitar o ninho de várias espécies (ex.: tico-tico). Enquanto o vira-bosta é elegantíssimo, esguio e traja cintilantes vestes de tom violáceo, o graúna é negro e de porte mais avantajado, além de saber nidificar, não se descuidando da criação da ruidosa prole. No nordeste ocorre a subespécie (Gnorimopsar chopi sulcirostris), que é maior, medindo 25,5 centímetros de comprimento. Quando canta arrepia as penas da cabeça e pescoço.

    Bando de graúna
    Bando de graúna
    Distribuição Geográfica

    Excluindo-se a Amazônia, onde está presente apenas no leste do Pará e Maranhão, é encontrado em todo o restante do País. Encontrado também no Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.

    Para o estado de São Paulo a espécie consta no Anexo III do Decreto nº 56.031/10 classificada como 'quase ameaçada' (NT), o que significa que, levando-se em conta sua avaliação quanto aos critérios estabelecidos pela International Union for Conservation of Nature (IUCN), o táxon não se qualifica para as categorias de ameaça apresentadas no referido Decreto, mas mostra que ele está em vias de integrá-las em um futuro próximo (Art. 2º; IX).

    Fonte:
    WikiAves
    Federação Ornitológica de Minas Gerais, Pássaro preto - Disponível em http://www.feomg.com.br/pass_pret.htm Acesso em 3 mai. 2009
    Portal Brasil 500 Pássaros, Melro - Disponível em http://webserver.eln.gov.br/Pass500/BIRDS/1birds/p498.htm Acesso em 3 mai. 2009
    IBAMA. IN01-03. 24 jan. 2003. p. 7.
    Marigo, Luiz Claudio. Sertões. n. 24.
    CEO - disponível em http://www.ceo.org.br/musica/assum%20preto.htm Acesso em 28 jun. 2009.
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    guilherme madureira
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 56
    Data de inscrição : 30/11/2013

    Re: O Pássaro Preto ou Graúna

    Mensagem por guilherme madureira em Sab Dez 14 2013, 16:43

    Bacana.

    Gosto muito dessa ave pelo fato de interagir tão bem com o dono.

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